caiofernandoabreu:

A vida era muito dura. Não chegávamos a passar fome ou frio ou nenhuma dessas coisas. Mas era dura porque era sem cor, sem ritmo e também sem forma. Os dias passavam, passavam e passavam, alcançavam as semanas, dobravam as quinzenas, atingiam os meses, acumulavam-se em anos, amontoavam-se em décadas — e nada acontecia. Eu tinha a impressão de viver dentro de uma enorme e vazia bola de gás, em constante rotação.
(Caio Fernando Abreu.  Réquiem por um fugitivo, in: O Ovo Apunhalado)

caiofernandoabreu:

A vida era muito dura. Não chegávamos a passar fome ou frio ou nenhuma dessas coisas. Mas era dura porque era sem cor, sem ritmo e também sem forma. Os dias passavam, passavam e passavam, alcançavam as semanas, dobravam as quinzenas, atingiam os meses, acumulavam-se em anos, amontoavam-se em décadas — e nada acontecia. Eu tinha a impressão de viver dentro de uma enorme e vazia bola de gás, em constante rotação.

(Caio Fernando Abreu.  Réquiem por um fugitivo, in: O Ovo Apunhalado)

21.05.12
101
20.05.12
20.05.12
carolinamadureira:

ouviram?

carolinamadureira:

ouviram?

(Source: ozzyp)

11.05.12
nomeiodaestrada2:

  São em momentos como esses de nossas vidas que percebemos o quanto uma pessoa faz falta. Já faz tanto tempo que não o vejo que nem sei mais se ele ainda usa aquele cabelo para cima em forma de moicano. Ou então aquela munhequeira que não dava para ler o nome da banda porque estava virada pela metade. Já faz tanto tempo e mesmo assim ainda parece que alguns assuntos são legais apenas quando estou conversando com ele. Era interessante, ele tinha mais opinião do que a maioria das pessoas, sem essa mente fechada com o mundinho limitado da maioria dos seres humanos.
  Eu o conheci no ensino fundamental, e naquela época éramos até que bastante ligados. Quer dizer, haviam coisas em comum, amigos em comum. Com o tempo fui me afastando, os grupos mudaram, e durante a escola era difícil termos um tempo para conversar como antes. Ele cresceu… E como cresceu! O garotinho com a franja jogada de lado deu lugar a um homem. Não qualquer homem, um homem com valores, o que não se vê por aí todos os dias. E eu? Bom, eu também mudei. Aprendi a ser mais eu, e percebi que não estava no lugar certo nem com as pessoas certas, enquanto os amigos queridos estavam ficando para trás. Foi aí que tudo voltou a ser o que nunca era para deixar de ter sido.
  Mesmo com o grupo em comum novamente, nunca mais fomos do que podemos considerar melhores amigos, passávamos longe disso. Perdemos muita coisa. Nós mudamos. Agora ele tinha amizades que já não pertenciam mais à minha época, assuntos que eu já não sabia conversar. Nunca disse isso a ele, mas por muito tempo ele foi o que considerei meu melhor amigo. Foi estranho me dar conta de que a ligação que tínhamos não podia mais ser reestabelecida. Eu não sabia, mas ainda era a garota sem visão que ele sempre me ensinou a não ser.
  Lembro de quando estava escutando música uma certa vez, depois da prova. Ele perguntou o que eu escutava, e eu respondi “Arctic Monkeys”. Ele falou, daquele jeito bem despojado dele “vou fazer uma lista de músicas para você baixar”. Na época eu não conhecia nem metade daquelas bandas que ele tanto escutava. Achava que aquelas músicas eram pesadas demais. Encontrei a lista dia desses, perdida dentro do meu fichário velho. Eu tenho quase todas elas no meu Ipod hoje. A banda da munhequeira dele, que eu zoava tanto por usar algo de uma banda que já tinha acabado, hoje canta uma das minhas músicas favoritas, e eu quase briguei com metade da família para conseguir um ingresso para o show.
  Agora eu penso, que tipo de pessoa eu era? Esse garoto, cujo nome não precisa ser citado, se ele leu, ele sabe que esse texto é para ele, me esqueceu. Eu deveria ter escutado mais as dicas que ele me dava. Eu deveria ter insistido na nossa amizade ao invés de ceder assim, tão facilmente alguém que eu gostava tanto. Mas o tempo, mais uma vez passou, e o destino acabou mudando tudo outra vez.
  Agora sim, foi a minha vez de crescer. A surpresa de todos que não me viam há um tempo foi grande. A garota que estava sempre com o cabelo partido ao meio de repente colocou-o de lado ou resolveu prender. O lápis preto nunca mais saiu dos meus olhos, e eu me senti melhor assim. Passei a ouvir musicas que jamais pensei em ouvir, apesar de todas as indicações dele. Passei a defender e a brigar pela minha opinião, como ele sempre me disse que deveria fazer, afinal pessoas abatidas pelo mundo são pessoas mortas na sociedade. Passei a ter posição. Passei a saber quando falar e quando ficar quieta. Mudei, cresci, aprendi a ser a garota que na verdade eu sempre fui, mas não mostrava. E ele? Ele também mudou. De homem, passou a homem maduro. Incrível como ele está sempre um passo à frente.
  Esse garoto, ele não é como os outros. Ele tem algo que é só dele. Esse jeito de parecer sempre estar preocupado com o que acontece com os outros sempre me encantou. Seu coração ainda é de menino, e está bem escondido atrás de um porte físico considerável. Mas ele não é inocente, ele sabe da vida, ele conhece o mundo. Talvez morar com os avós tenha sido a chave para torná-lo esse garoto tão bom e respeitoso que é. Daqueles que te faz pensar que se um dia tiver um filho, você quer que seja como ele.
  Eu sinto falta dele, e como sinto. Sinto falta da risada tão contagiante, e dos segredos inúteis (ou não tão inúteis assim) que contávamos. Às vezes eu queria muito que ele estivesse presente na minha vida, pois como já disse, há assuntos que só são legais com ele. Não existem muitas pessoas por aí capazes de me entender, e ele é uma rara exceção. Também não existe quase ninguém que tem minha confiança, e eu sei que meus segredos com certeza estarão seguros com ele, por mais bobos que sejam. Gostaria que ele soubesse que ele ainda é uma das poucas pessoas que me importam de verdade, das amizades antigas. Uma das poucas que eu lembro todo santo dia, desde quando escuto uma música e penso “porque eu não ouvi logo aquela lista que ele me deu?” até quando estou com meu pingente de lobo. […] Eu ainda me lembro de você. Ainda sinto sua falta. Sinto de falta de todos, mas você é de longe a perda maior. 
(Aquilo nunca dito, nomeiodaestrada2)

nomeiodaestrada2:

  São em momentos como esses de nossas vidas que percebemos o quanto uma pessoa faz falta. Já faz tanto tempo que não o vejo que nem sei mais se ele ainda usa aquele cabelo para cima em forma de moicano. Ou então aquela munhequeira que não dava para ler o nome da banda porque estava virada pela metade. Já faz tanto tempo e mesmo assim ainda parece que alguns assuntos são legais apenas quando estou conversando com ele. Era interessante, ele tinha mais opinião do que a maioria das pessoas, sem essa mente fechada com o mundinho limitado da maioria dos seres humanos.

  Eu o conheci no ensino fundamental, e naquela época éramos até que bastante ligados. Quer dizer, haviam coisas em comum, amigos em comum. Com o tempo fui me afastando, os grupos mudaram, e durante a escola era difícil termos um tempo para conversar como antes. Ele cresceu… E como cresceu! O garotinho com a franja jogada de lado deu lugar a um homem. Não qualquer homem, um homem com valores, o que não se vê por aí todos os dias. E eu? Bom, eu também mudei. Aprendi a ser mais eu, e percebi que não estava no lugar certo nem com as pessoas certas, enquanto os amigos queridos estavam ficando para trás. Foi aí que tudo voltou a ser o que nunca era para deixar de ter sido.

  Mesmo com o grupo em comum novamente, nunca mais fomos do que podemos considerar melhores amigos, passávamos longe disso. Perdemos muita coisa. Nós mudamos. Agora ele tinha amizades que já não pertenciam mais à minha época, assuntos que eu já não sabia conversar. Nunca disse isso a ele, mas por muito tempo ele foi o que considerei meu melhor amigo. Foi estranho me dar conta de que a ligação que tínhamos não podia mais ser reestabelecida. Eu não sabia, mas ainda era a garota sem visão que ele sempre me ensinou a não ser.

  Lembro de quando estava escutando música uma certa vez, depois da prova. Ele perguntou o que eu escutava, e eu respondi “Arctic Monkeys”. Ele falou, daquele jeito bem despojado dele “vou fazer uma lista de músicas para você baixar”. Na época eu não conhecia nem metade daquelas bandas que ele tanto escutava. Achava que aquelas músicas eram pesadas demais. Encontrei a lista dia desses, perdida dentro do meu fichário velho. Eu tenho quase todas elas no meu Ipod hoje. A banda da munhequeira dele, que eu zoava tanto por usar algo de uma banda que já tinha acabado, hoje canta uma das minhas músicas favoritas, e eu quase briguei com metade da família para conseguir um ingresso para o show.

  Agora eu penso, que tipo de pessoa eu era? Esse garoto, cujo nome não precisa ser citado, se ele leu, ele sabe que esse texto é para ele, me esqueceu. Eu deveria ter escutado mais as dicas que ele me dava. Eu deveria ter insistido na nossa amizade ao invés de ceder assim, tão facilmente alguém que eu gostava tanto. Mas o tempo, mais uma vez passou, e o destino acabou mudando tudo outra vez.

  Agora sim, foi a minha vez de crescer. A surpresa de todos que não me viam há um tempo foi grande. A garota que estava sempre com o cabelo partido ao meio de repente colocou-o de lado ou resolveu prender. O lápis preto nunca mais saiu dos meus olhos, e eu me senti melhor assim. Passei a ouvir musicas que jamais pensei em ouvir, apesar de todas as indicações dele. Passei a defender e a brigar pela minha opinião, como ele sempre me disse que deveria fazer, afinal pessoas abatidas pelo mundo são pessoas mortas na sociedade. Passei a ter posição. Passei a saber quando falar e quando ficar quieta. Mudei, cresci, aprendi a ser a garota que na verdade eu sempre fui, mas não mostrava. E ele? Ele também mudou. De homem, passou a homem maduro. Incrível como ele está sempre um passo à frente.

  Esse garoto, ele não é como os outros. Ele tem algo que é só dele. Esse jeito de parecer sempre estar preocupado com o que acontece com os outros sempre me encantou. Seu coração ainda é de menino, e está bem escondido atrás de um porte físico considerável. Mas ele não é inocente, ele sabe da vida, ele conhece o mundo. Talvez morar com os avós tenha sido a chave para torná-lo esse garoto tão bom e respeitoso que é. Daqueles que te faz pensar que se um dia tiver um filho, você quer que seja como ele.

  Eu sinto falta dele, e como sinto. Sinto falta da risada tão contagiante, e dos segredos inúteis (ou não tão inúteis assim) que contávamos. Às vezes eu queria muito que ele estivesse presente na minha vida, pois como já disse, há assuntos que só são legais com ele. Não existem muitas pessoas por aí capazes de me entender, e ele é uma rara exceção. Também não existe quase ninguém que tem minha confiança, e eu sei que meus segredos com certeza estarão seguros com ele, por mais bobos que sejam. Gostaria que ele soubesse que ele ainda é uma das poucas pessoas que me importam de verdade, das amizades antigas. Uma das poucas que eu lembro todo santo dia, desde quando escuto uma música e penso “porque eu não ouvi logo aquela lista que ele me deu?” até quando estou com meu pingente de lobo. […] Eu ainda me lembro de você. Ainda sinto sua falta. Sinto de falta de todos, mas você é de longe a perda maior. 

(Aquilo nunca dito, nomeiodaestrada2)

02.05.12
9

(Source: juupedroso, via schmunzels)

29.04.12
28.04.12
28.04.12
“Cada farol é único, dois faróis não compartilham o mesmo padrão de luzes, o mesmo sinal de rádio, a mesma geometria da torre e nem a mesma pintura. Cada um tem sua “impressão digital”[…] Faróis são construções robustas, que aguentam provações fortes. Eles permanecem de pé apesar da fúria dos elementos ao redor e ainda assim são capazes de lançar uma luz sobre os problemas e sugerir um caminho a seguir”

“Cada farol é único, dois faróis não compartilham o mesmo padrão de luzes, o mesmo sinal de rádio, a mesma geometria da torre e nem a mesma pintura. Cada um tem sua “impressão digital”[…] Faróis são construções robustas, que aguentam provações fortes. Eles permanecem de pé apesar da fúria dos elementos ao redor e ainda assim são capazes de lançar uma luz sobre os problemas e sugerir um caminho a seguir”

27.04.12
3

(Source: slurpe3, via me0w-stache)

24.04.12